
A amizade é um vício.
Ela começa do nada, por um simples oi, empatia ou simpatia. E assim como o universo, que do nada veio, e se transformou no infinito, a amizade acontece da mesma forma; aos poucos, com cada detalhe se tornando um microorganismo. Juntos eles vão se transformando em um corpo só, unificados, modificados.
Como a nicotina, que preenche os pulmões e o cérebro, acalma e mata, a amizade acontece igualmente. Ela entra por cada poro, atua no organismo e te enaltece de alegria, mas te comprime lentamente. A amizade é um vício, ela equilibra o bem e o mal que é saber como e quando estar dentro da outra pessoa.
O amor, que sugere todo o tipo de sentimento bom e constante, metamorfoseia quase instantaneamente em ódio quando a amizade, amada, fere um desses sentimentos. O que um dia te fez bem e te completou, pode te matar, tão lentamente quanto o uso de uma droga.
Apesar do beneficio, a projeção no outro pode se tornar um malefício. O que deveria ser uma troca mutua de confidencias, de consciência, pode vir a se tornar um elo do mal, uma falcatrua maquiada de sorriso, uma mentira posta entre dentes. Um segredo sobre um sonho pode vir a ser um futuro pesadelo.
E exatamente como o universo e a vida, que há um começo, um meio e um fim, a amizade domina a alegria e a tristeza de uma vida inteira, e acaba-se por morrer. Seja pela morte natural do afeto, seja pela morte natural da vida.
- A Amizade é um Vício;
- Meus Eu's, Meus Meu's;

Tenho dois dias, dois beijos, dois sonhos e, consequentemente, dois pesadelos.
Antes de sair de casa, questionei meu alterego sobre o que ele queria hoje, mas ele só me respondia: "- Exatamente aquilo que você não quer". Tenho dois eu's lutando por dois meu's.
Um, de certo é encantador. É como se um enorme coração invadisse o espaço que ele se encontra, pra dizer, entre muitas palavras, que sou belo. É tão sutil quanto o vento, pois demonstra exatamente aquilo que quer demonstrar (amor com indiferença), mas os olhos não negam o quão fervoroso é seu sentimento. Ficaria horas conversando de banalidades, coisas inteligente e simples, e que ficariamos dias se deixassem-nos conversando. O problema é meu eu, que não encontrou neste meu alguém admirável, e invejável à rua, ao asfalto.
O outro é um sonho. Tem beleza, timidez na moderação certa, carinho e afeto que não caberiam dentro de uma pessoa normal. Nenhuma palavra me faz sorrir, e várias me fazem esquecer do mundo. É a sinceridade com a calmaria, pois diz aquilo que você sabe, não quer escutar, mas faz questão de mostrar, para que os pratos sujos jamais sejam prantos limpos. O problema é meu eu, que criou neste meu um desapego gratuito, com um empecilho; por estar não estar na porta de casa, mas na rua de baixo.
Meus eu's são tão conflitantes que fazem os meu's parecerem impecáveis imperfeitos. Tão certos do que são para si e para mim, mas tão errados no que eles podem se tranformar um dia.
O problema são meus eu's meu's. As decisões não dependem deles, dependem de mim.
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- Instigações;
Teu jeito me instiga.
Teu olhar disfarçado de interesse, que não é dito pela boca, mas com a própria pupila, me delega a um sentimento quase mensurável.
Poderia ficar horas apenas olhando pra ti, cada detalhe da sua face super expressiva, e ter certeza do que desejo. Ah, e que desejo! Aquele que me entorpece ao abrir e fechar os olhos, ao respirar e a viver.
Pensar em você aperta tanto meu coração, que eu poderia cometer qualquer loucura, a qualquer momento, só para ter-lhe perto de mim. E este é o melhor aperto que já senti. Ele não sufoca, ele deixa meu coração livre para bater da forma que ele quiser, desde que ele tenha a plena certeza de que você está por perto.
Só eu sei quanto amor eu não passei. Não sei se estou passando, ou se apenas vai passar, mas sinto que poderia viver este mesmo momento eternas vezes, afim de que a felicidade me domine plenamente, assim como ela me domina agora, enquanto falo com você. Sou instigado diariamente por tudo que você me oferece: simpatia, simplicidade e um sorriso. Se pudesse, roubaria cada um deles pra mim.
Para ser sincero, não gostaria de algo seu, que eu sei que posso ter: seu amor.
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- Antagonismo;

Sou antagônico.
Neste momento em que escrevo, desejo que o mundo me ame,
Enquanto na verdade eu o odeio; e o amo.
Todas as sensações, infinitamente ditas indescritíveis são falsas,
E a falsidade é por eu poder descrevê-las.
Eu posso me descrever, mas eu não devo.
O meu alterego tomou conta do meu eu, e não posso ser aquele que um dia fui. Alias, o que um dia fui não tem mais sentido, pois este se perdeu em cada defeito que deixei que a vida me agregasse. Desaprendi a sinceridade, a lealdade, o companheirismo, a fidelidade. Sou apenas mais um Eu, perdido dentro de mim.
Cada pedaço que me forma está desgastado e desiludido. Me insatisfaço fácilmente com impulsividade, agressividade, imediatismo, e me calo diante de mim. Sou verdade e desafio. Ao mesmo tempo que tomo tento para empinar minha cabeça, abaixo-a no mesmo instante, a fim de que não me vejam.
Meus sentimentos tem duplo sentido. A cada ambiguidade que adentra meu coração, são suspiros falsos e inflexíveis de minh'alma. Eu digo sim ao não, não ao não, e as outras oportunidades se esvaem em cada resposta que insisto em ser contrário. Sou infame, ilário, precário. Meu coração não bate, ele gira no sentido anti-horário, desejando que eu volte ao meu passado, puro, ingênuo, e impecável.
Acordo a cada milésimo com a plena certeza de meu antagonismo. O que eu sou neste exato segundo eu já não sou mais no próximo. Me confundo comigo e com meus comigos, buscando infundadamente descobrir quem eu sou: Eu sem Eu.
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