- Prévia de Um Futuro Prévio;

Tira meu sono, desatina meu pranto,
Faz doer por eu não saber o que fazer.
Me enche o peito, me deixe sem sentido,
Pois sei que não tem mais jeito de ter-te aqui comigo.
Me corroí por dentro,
Aperta meu coração,
O ciúmes agora é o dono da razão.
Não me deixe apaixonado, sofrendo novamente,
Pois seus passos dados me sufocam sorrateiramente.
E da experiência que vivi,
O medo se tornou meu guia,
Dói n’alma tudo que já senti,
De tal forma que pensei que não acabaria.
Já não digo sim e nem não,
Pois sei que vivo de ilusão,
Uma que sei que vai acabar,
Pois sou adepto do “Que seja eterno enquanto durar”.


Excremento
O dolo mal resolvido de uma noite,
Rebusca minha alma com soluções,
Tenho-te a beira do açoite,
Mas ainda finjo emoções.

Sua busca infundada por seu ego esquecido,
É apenas o grito de um superego revirado,
Que de teus próprios sonhos está enfurecido,
E de tuas próprias mentiras incrustado.

Você se tornou seu próprio excremento,
Fétido, sujo, e desnecessário,
Sua vida não tem consentimentos,
De que afeto é completamente necessário.

Então terminarás sozinho, de canto, de lado,
Dentro de ti haverá apenas uma mentira.
Nunca terás amor, viverás do fardo
De que cada vez que respires, isso te fira.

A Pena;

Pena. Será seu nome a partir de agora.

Você, que poderia se chamar de futilidade, audácia, aspereza e segurança, terá um nome mais banalizado, e que cabe com tudo que deseja aparentar. Apenas, Pena.

Pena por ser tão medíocre a ponto de pressupor que o mundo é você, e que todos giram a seu redor. Você não chega a ser um continente, um país, um estado ou uma cidade, é apenas o vestígio de um pequeno vilarejo, onde tudo é perto, você conhece a todos, e acha que pode tudo. Mas afinal, você realmente pode, mas apenas dentro do seu pequeno vilarejo, uma pena.

Pena por ter se tornado tão fútil a ponto de tornar-se apenas o vestígio de uma marca que não caí bem em você. Ou por acreditar que 'isto' não basta pra ti, já que 'aquilo' parece ser equivalente, a sua altura. Talvez seja, profissionalmente falando, é o que você merece, já que você não passa de um zero querendo se infurnar nos números primos. Peninha!

Pena por você ter deixado sua inteligência na primeira esquina, acreditando que poderia voltar pra buscá-la mais tarde. Então, você se esqueceu de buscá-la. Você é o que você é! Oh, que pena!

E por fim, uma pena por não ter mais a melhor das suas vanglorias: Eu. Toda a saga que estava pronta dentro de ti, foi desmoronada. Hoje, você é Pena porque nunca mais poderá ter-me. Serei sua eterna jornada, num caminho sem penas.

- A Falta da Singularidade;


Toda sua diferença tornou-se comum.

Teus atos tornaram-se falhos em cada detalhe, já que o diferencial virou algo normal ao meu ver, igual a que todos já fizeram.

Seu tempo dedicado, suas falsas promessas, seus torpes sorrisos; todos vazaram juntamente com a sua tentativa de ser natural. O prazer que havia no encontro converteu-se em desprazer a partir do momento que você concluiu que o meu destino era uma competição.

Felizmente meus olhos nunca se fecharam diante dos seus, e desde o início pude prever em cada tom do seu olhar qual seria a sua próxima ação, completamente previsível, embora você tenha feito de tudo para parecer que não.

E eu, um louco lúcido dissimulado, deixei que me guiasse para cada um de seus suspiros, e deixei que estes virassem anseios diante dos meus doces sorrisos e gargalhadas. Sou um palhaço preso dentro da minha própria maquiagem, e não posso deixar que qualquer tipo de lágrima borre-a. A roupa não me cai tão bem, contudo ela se torna confortável na maioria das situações cômicas que tenho que passar, por você.

A sua vontade de ser único o fez ser o todo, o compartilhado e o semelhante.
Onde estará o você-singular?

- Caminho Sem Fim;

Cada passo, cada rua, e o que faço.
­Cada cerca, cada centro em que eu me perca,
­Desencontros fatais e reais.

­Revivo o que não quero e não espero,
­Esqueço que aconteço, e tudo tem seu preço,
­Vitórias podem ser perdidas, mesmo concedidas.

­Caminho em frente, sozinho e eloqüente,
­Estagnado com a vida, socialmente contida,
­Que vou levando embora, seguindo agora.

­E a jornada se torna dura, impura,
­Dificuldades e distâncias são as discrepâncias,
­Que me tornam ávido a continuar, e jamais parar.

- Palpitações;


O coração palpitando é apenas um palpite de um amor que nunca irá acontecer.
A cada pulsar é um impulso tomado, imediatista,
Que não é medido pela consciência,
Pois esta tem ciência do que vai fazer.
É apenas a paixão vomitando em seu peito que de fato você não quer sentir.
A sua teimosia faz com que você siga adiante, mesmo sabendo que o fim será na próxima curva que seu coração palpitar novamente,
Ou se por quem seu coração palpita sofrer um infarto.

Teu palpite será apenas mais um repleto do veneno que ele bombeia para a sua mente:
seja o amor, ou o ódio.