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Compulsivamente aquilo que um dia eu chamei de coração se transformou em fígado, e o sangue que um dia foi bombeado pelo meu corpo se transformou apenas na bile que permanece em minha boca, deixando-a amarga, onde sinto o gosto do fel, onde sinto seu gosto.

Suas promessas tornaram-se infundadas, e já não me empetece mais como antes. Você mente, dissimula, descria e me fere, como jamais imaginei ser ferido. É como se me amarrassem em um lindo e imenso jardim, e cada vez que eu tentasse fugir, um pedaço de mim estaria perdido por entre as belas flores.

O desejo tornou-se a minha fuga, e eu desejo fugir pra qualquer lugar que não tenha a sua imagem, pois o asco me fará regurgitar. Meu corpo arde em febre do rancor, da mágoa e da desilusão. Sinto cada pólo queimando, por dentro e por fora, como se pequenas brasas invadissem meus poros, e eu não pudesse apagá-las.

Agora prometo te olhar como um qualquer, como um desdém, como um ninguém, que não merece sequer minha compaixão, pois com ou sem paixão, você será apenas reflexo do que um dia eu pude gostar. Acabo de acreditar que tenho um ótimo mau gosto, já que me sentia bem contigo, um ser que nem deveria ser chamado de ser, pois a única coisa humana em você é sua feição.

Pretendo desviver tudo o que for necessário, desencontrar tudo o que foi válido e desgostar de tudo que foi vivido. Sou apenas um antro de sentimentos desagradáveis em relação a você; ainda que consigas ser infinitamente mais desagradável que meus sentimentos. Desvirtuarei tua felicidade em forma de sorriso, com um olhar fulminante, com um sorriso entre dentes, e uma chama ardendo por dentro, para que você morra, dentro de mim.

- Sabe o que Sois?


Eu não sou aquilo que pensas.

Eu choro, odeio, minto, dissimulo, revivo, grito, devoro, passo e sou humano. Por mais que as circunstâncias oportunas coloquem um sorriso no meu rosto, uma simpatia no olhar, um doce no meu jeito, e mágica no que faço, eu sou incontestavelmente comum.

Eu olho pra frente, e vejo monstros jogando flores em cima de mim. Monstros que me devorariam com apenas uma abocanhada, conseguem transformar dor em amor, quando se trata de personalidade, já que tudo é impecável quando se fala de alguém em que a impecabilidade se torna traje obrigatório. Mas o esquecimento vem de um humano ou de um monstro, e trajes foram feitos para ficarem desgastados, pessoas para serem despidas.

Por trás de cada bela imagem, há um ser horripilante. Ser horripilante é quando presumimos que algo acontece por pura e simplesmente maldade, infelicidade e insensatez. O que motiva ações? Fatos, burburinhos, omissões, imaginação? Prefiro ver amor nos atos. Do mais lindo ao mais pútrido. Tudo tem dois lados, mas pesar pelo negativismo é se abster de saber o que te faria bem. É encontrar escuridão na cor. É mais fácil deixar com que as pálpebras engulam a córnea e faça com que o cérebro enxergue imagens deturpadas inexistentes.

Vou colocar exatidão na minha vida, e embora seja impossível, vou tentar a cada dia não deixar com que a essência do meu ser não seja violada por formas de me amargurar, por decepções, ou por apatia. A construção destes três elementos entra pelas veias, e atinge o coração como um veneno, e agimos por impulso, por retroação, afim de que a homeostase ocorra, dentro de nós.

Deixarei com que a minha melhor veste seja exposta a cada dia, bem cuidada, imaculada. E continuarei deixando que todos penetrem na vestimenta, afim de que vejam o que eu sou, e de que forma eu sou. Mas e agora, que o obscuro vem à tona, pergunto: não sabes o que sou, quem sabe o que sois?

Flagelo

Tornou-se mundano. Tornou-me mundano.

Os prazeres carnais não passaram de uma fuga infundada para um universo paralelo que tu vives, ou gostaria de viver, já que a realidade implica na exposição de vantagens, prêmios e afins, e não sabes em qual mundo gostaria de existir: o real, ou o figurado.

As sensações e os sentidos são únicos, uníssonos e unificados, e não por serem uma coisa só, mas sim por serem somente o seu desejo. O desejo que rasga os pudores e invade a carne é apenas o corpo querendo deliberar a mente, suprir as dores d'alma, e resgatar o amor próprio perdido. E desta forma, faz-me esnobar o meu, ignorando-o, e colocando-o entre as pernas, com todo o tipo de sensação que eu deveria e poderia sentir, mas privo-me, pois sou privado pelo seu modo de me flagelar.

A libido é constantemente inconstante; eu sinto mesmo sendo interrompido, de modo carnal, ou de modo psicológico. O impedimento ocorre pela descaracterização sexual, da qual reciprocidade não é premissa inicial para manter corpos interligados. O respeito é secundário e imaginário, desafiado por atitudes incabíveis mantedoras de falsas posturas e posições.

Sexualmente agindo, estou prostrado e imaculado, por permanecer inanimadamente, por manter os velhos princípios.

- A Saudade Que Não Sinto;


Você me via e sorria, e então este mundo era o mais incrível para se viver. Para você!
Pode ficar com o sorriso, as coisas bonitas que me diz, a boa vontade e toda aquela baboseira de sonhos e planos, para ti, ou pra quem quiser acreditar no que você diz, ou mesmo na Carochinha. Eu passei a desacreditar em vocês dois a partir do momento em que te olhei do outro lado da rua me enganando, enquanto dizia que estava em casa assistindo novela enquanto jantava no sofá da sala; e na Carochinha eu não acredito porque minha mãe sempre mudava o final. Aliás, pra ser sincero comigo mesmo, porque não há mais ninguém com quem eu possa ser, eu acho que nunca acreditei em você! Quem ouve num delicioso tom alguém falando do amor, poderia até pensar que ele estaria por ali, mas não eu, que estou cansado de ver o amor em todas as histórias, inclusive nas da Carochinha que minha mãe mudava o final.

Não gosto de nada que me lembre você, ou seja, eu não gosto dos domingos (e mesmo que não fosse por você, a televisão já me faz ter motivos suficientes para não gostar), não gosto de noites quentes, não gosto de dias felizes, não gosto de casais, enfim, não gosto de nada que tenha aquele ar romântico que você só enxerga quando está acreditando que ama alguém. Aliás, quantos alguéns eu já amei? Já perdi as contas. Mas com você foi diferente. Eu sabia que podia te ligar às 4h da manhã para falar que estava passando o meu seriado predileto na televisão, sem que você se importasse de estar acordando dali uma hora. Eu podia me atrasar nos encontros, que você fingiria que estaria tudo bem, e não se importaria, mesmo com as lascas das suas unhas grudadas na sua roupa (você e sua maldita ansiedade). Nas histórias infantis que eu ouvia também era assim, só que as princesas sempre viam o que era diferente e por isso se apaixonavam, mas nunca viam que todos os príncipes eram iguais: doces, amorosos, egocêntricos e chatos (nesta concepção, você é um príncipe).

Não me importarei mais com o fato de não estarmos juntos. Sei que daqui cinco minutos conhecerei alguém na fila do banco, com quem casarei e terei 3 filhos, e um cachorro, que quando morrer enterraremos no quintal, e no final de nossas vidas nossos filhos nos colocaram em um asilo e morreremos por lá. Neste momento, eu gostaria muitas coisas, mas pra ser sincero, gostaria de encontrar com você no banco.

- Desnudo;

¿Lo que pasa conmigo y con las personas con quien yo vivo? ¿Están en broma, o yo soy tan inesperable? Si lo que hago me hace peor, porque mi miente mente hasta el punto de no saber donde estoy, ni lo que soy. El mondo no te das lo que es de derecho, no hay porque lograr normas torpes y gris, donde surgen dudas increíbles, dolores inolvidables y sueños inalcanzables.

Ellos hablan siempre igualito, pero quien hace lo que no he dicho. ¿Lo que ocurrió y lo que se desencuentro? Entonces llego a la concepción de que el amor murió con las palabras y el corazón sencillo llego hasta dónde no hay salida. Salir es imposible, hasta porque la vida empieza en el punto donde creímos ser el final. Si me voy dejo todo inacabado, y si me quedo encuentrome sin salida.

Dolores que regresan con mis pensamientos, y que hacen callarme do que decir, es lo que estoy a comprender, es lo que creo cuando encuentro los pedazos de mí.

- Auto-hipocrisia;

Eu não sei o que sinto por mim.

É como se houvesse uma grande corrosão mental, por me conhecer por lados que eu acreditava não conhecer. Aprendi a viver uma vida desnivelada, crendo que eu seria capaz de desaprender o que aprendi a duras penas, esnobando o que demorei anos para conquistar.

Eu minto a mim mesmo, mesmo não mentindo. Dizer o que faço, quando desfaço com palavras o que fiz com ações, não passa de uma conclusão falsa sobre atos verdadeiros, e palavras mentirosas. Respiro dois tipos de ares diferentes, um que me dá virtudes, e outro que me dá vícios. Engano-me com qualquer semblante mais amável, qualquer sentido doce, e com qualquer olhar fixado. Dissimulado, é o que passa com o que passa por mim.

Logo a auto-hipocrisia me encontrou. Explico para quem não quer escutar quem eu não sou, na ânsia de sentir-me afagado, desejado, uníssono com o que não me completa. Estou incompleto. Embora eu tente forjar duas personalidades, infelizmente só existe uma dentro de mim, que convive com outras externas, outras que me consomem.

Sou metade daquilo que aparento, para deixar que a outra metade seja interpretação. Faço pouco mais do que falo, digo pouco mais do que ouço, e sou pouco mais do que desejo. Em meu peito convivem dois afetos onde caberia só um.

Poderia falar sobre amar-me, mas não devo. O desnível acabou por levar o que eu acreditava que era o ego, e o que sobrou é apenas um vestígio de confiança. O que sinto por mim não passa de um reflexo daquilo que sinto pelo mundo, do que sinto por quem quer sentir por mim.

- A Doença no Peito;

Hoje eu descobri o que era aquela coisa que apertava meu peito.

Eu estava enganado quando ia ao médico e tinha certeza de que eu precisaria de uma ponte de safena, de um transplante de coração ou qualquer coisa que me levasse à um bisturi. Na verdade, eu me enganei porque quis. Eu sabia que aquilo que apertava meu coração era uma mentira que inventei, pois nada o apertava, ao não ser meu cérebro conduzindo os meus pensamentos. Não era orgânico, era psicossomático. Eu inventei dores pra aliviar falsas dores, aquelas que jamais senti.

E depois de muito sofrer com essa dor que na verdade nunca doeu, eu descobri que o que estava em meu peito, querendo penetrar meu coração, era um tal de amor. Chato e inconveniente como um vírus, ele queria me dominar. Mas aí, fui simples: não tomei antibióticos nem derivados, simplesmente decidi que em mim ele não existiria; e dito e feito! Fiz ele sumir em instantes.

Há quem diga que eu nunca deveria ter tirado o amor do meu peito. Há quem diga também que eu deveria ter morrido desse mal. Eu prefiro dizer que um dia serei contaminado novamente, mas na hora que eu quiser que o tal do amor me invada.

- O Blog:

São apenas sentimentos decodificados por mim, e codificados pelo Windows;