Inigualável.
Carne e osso personificados em adjetivo, e mesmo inverbificado, posso conjugá-lo no pretérito, no presente e no futuro.
Descansa o alterego, para que o melhor de si acorde,
Dê vida ao exacerbo do zelo, da libido, da empatia.
Desperta como uma música, num tom e acorde,
Que sinto em mim a melhor sinfonia.
Estranho é não ter percebido a necessidade de sentir, de viver, de crescer, de sonhar, de almejar, de cantar, de sorrir, de florear coisas que estão longe do alcance da minha mente, e somente um coração sensato consegue entonar no ponto exato do que a alegria pede. Momentos são registros de atos, de fala, de loucura, que não poderia paralisar em uma foto, ou dar aura em um vídeo.
Distorço teus anseios, de forma manipuladora,
A fim de que eu possa ser dono do que não sei,
E de forma sinistra e constrangedora
Eu refaço o teu dolo, de uma forma que não contarei.
Os sentidos dos meus sentimentos tem mão dupla, dividos pelo receio de seguir em linha reta para aventurar-me em linha cruzada. Teu caminho guia a minha certeza incerta, e seguir sem saber é um fato desolado. Tenho certeza de não ter, de não ser, já que o oferecimento é muito maior que eu mesmo. Sou tolo e torpe por querer o impossível; estou débil de sentimento, frágil de razão. Os teus desvios nos meus são minha mentira ambulante, e não posso discordar de minha hipocrisia. Minha cronologia é falha, e em paralelo com a sua me deixa tonto, e não sei acontecer.
Saímos de mãos dadas para o mundo sem um guia que nos coloque em um caminho, pois sei que parto sem saída com destino ao infinito, ao inverso de ti, pois vejo que é finito onde você irá chegar.
- Inigualável;
- Através do Espelho;

Não posso mais perguntar "Espelho, Espelho meu", pois acabo de descobrir que o espelho sou eu.
Após tantos anos enfrentando face à face a minha face de vidro, percebi que estava desfacelada em diversas outras faces, como a face que encontro em você.
O oxigênio entrando em meu corpo, o gás carbônico saindo, o pulsar de meu coração, minhas naúseas, meus pés, braços, sentidos; são todos pertencentes a você, que está do outro lado do espelho, do outro lado de mim, dentro de mim.
Suas atitudes nada mais são que minhas atitudes, e posso saber tudo o que você faz, tudo o que você já fez, tudo o que é capaz de fazer. Eu sou você. Você sou eu. Somos apenas vidro espelhado, e alguém do outro lado.
Seus desejos incompletos me completam, seu olhar perdido tentando disfarçar sabe-se lá o que, teus lábios na medida, teu jeito descabido. Eu não sei se sei quem é você, que encontra-se em meu vidro, dividindo meus sentidos.
É o narcizo disfarçado de mim mesmo, apaixonado por alguém que sei exatamente quem é, que sabe o que quer, e neste querer está não querer nada. Eu não quero nada com nada, com você, sem nada. Eu olho no espelho enxengando um eu de outra forma, de outra cor, de outro rosto.
Fico preso em uma imagem clara, limpa e extasiante, na qual me pego por horas sem fim, olhando. Eu esqueço de esquecer que é somente o espelho, e se estou do outro lado, não posso ter quem me olha fixamente; sem saber o que sou, já que sou exatamente você.
Marcadores: Devaneios
- Sentido;
Não faz mais sentido.
Tudo o que falam, façam; eu ouço.
O que mentem, mantém ou pensam.
Passa o mundo com o tempo que passou,
E nada passa, tudo é passado.
O que na verdade importa é o que não importa,
E somente importou há cinco minutos atrás,
Quando acreditaram que havia importância.
Esqueceram de esquecer,
Que há sentimento, não há esquecimento;
Há hipocrisia, não há mais fantasia.
Me disseram que tudo aquilo que eu senti
Na verdade não sentia, sinto, sentiria.
Talvez o fato é que cada fato é isolado,
Deturpado, irritado e fechado.
É melhor não ver mais com a boca,
Não ouvir com os olhos,
Nem degustar com os ouvidos.
Melhor esquecer a verdade alheia,
Que me fere a vida inteira,
Que não tem mais sentido...
Não tem mais sentido,
Tudo isso que eu tentei dizer,
E que na verdade, não disse nada.
O sentido se foi juntamente quando fui explicá-lo.
Marcadores: Poesia
- Soneto à um Desalento;
Eu esperei viver esse momentoCada dia de minha vida,
Mas não imaginava que o desalento,
Fosse cobrir essa ferida.
O meu contentamento,
Era uma medida descabida,
Me levava ao sofrimento,
De uma sentimento sem saída.
O melhor sentido de tudo
É que ainda posso me iludir,
Fechar os olhos, ficar mudo,
E com o universo posso coibir;
Não há maior dor nesse mundo,
Do que gostar e ter que suprimir.
- Não Sei O Que Amo;
Eu não sei mais o que amo.
Fechei meus olhos e passei a desacreditar em qualquer tipo de amor. Venha ele de você, de mim, dele ou dela; o amor é apenas um peso que carregamos; é como açucar, é doce, satisfaz, realiza, enaltece, mas em excesso e aos poucos, te mata.
Os seres humanos não sabem onde pisam, mas pisam. Pisam uns aos outros, por recalque, por desejo, por luxuria, por instasfação. O amor vira amarra, prende os pulsos, corta o sangue, desoxigena o cérebro, desgasta o coração.
Não devo mais me apaixonar. Paixões são como um veneno pingando nas veias, te sufocando e te abastando aos poucos. Desacreditdo que haja algo especial, pois cada alguém é uma mesma historia repitida, é uma novela, é um desamor proprio.
Eu desacredito na amizade. Ela não floresce como dizem, não parte de mim nem de ti, ela se choca e gera uma sensação de prazer, de bem, de bom. Mas ela se desfaz, desfalece, falece.
Eu tenho a plena certeza do que não posso amar: tudo que amo. Tudo que amo é uma mentira que não existe, é hipocrisia sorrateira, é autoflagelo, é suicidio doloso, é recalque, é fogo, é gelo, é odio. A cada piscar de olhos é uma cena perdida, reconstituída incertamente. É a vida em sépia, onde não há preto e branco, não há yin-yang, não há cores primárias, secundárias, quentes ou frias. É apenas desgaste do corpo, do âmago, de si mesmo.
Eu não sei mais o que amo. E posso me incluir em que não amar. Onde estará o que um dia eu serei, e o que um dia você será?
Marcadores: Desabafos
- O Voo da Phoenix;

Por mais inconstante que um circulo de pessoas ao nosso redor possa ser, o processo de se viver uma amizade é, e deve ser migratório. Inicia-se com um abraço, com empatia, com devoção e loucura. E todo o alicerce para se contruir e se manter uma amizade, parte do amor. Este, que é o principal elemento, está escondido sobre as colchas que insistimos em colocar sobre as nossas relações, quando na verdade só precisariamos de uma coberta. Mas ele está ali, explicito ou implícito, todos sabem que ele está ali.
E, neste rumo da migração, a amizade ocorre como uma fênix. Ao final, apesar de parecer, ela não morre, mas vira cinzas. O fogo acaba por consumir cada vínculo, cada retalho e cada detalhe. Tudo acaba. Tudo acaba-se. As conversas, o sonho, as promessas, outro sonho, as dores, um sonho. Cada tijolo encontra-se em uma casa que não tem quatro paredes; não são cômodos, são incômodos.
Contudo, as cinzas que restam desta fênix chamada amizade não esvaem com o vento. Ela permanece enquanto há vida (ou mesmo quando não há, pois esse fator pouco importa a quem está vegetando). A cinza, escura, fria, áspera, fina e frágil, nada mais é do que o principal elemento da amizade, o amor. E, por mais que uma amizade encontre-se sempre em um processo migratório, o amor não. Ele continua no mesmo local, intocável. As pessoas esquecem-se de que ele ainda existe, e de que ainda há amor daquele que partiu.
Logo, a fênix renasce das cinzas, como um novo filhote, pronto para crescer, viver e voar. O fruto do amor, a amizade, toma o mesmo rumo. Mudam-se os tempos, as idéias, os motivos e as pessoas. Mas, o migrar de uma amizade, só prova que esta foi verdadeira um dia, e se será adiante. A amizade é fenix porque é forte, voraz, arde em fogo, queima por dentro e por fora, e se acabar, renasce novamente. Só depende do amor.
Marcadores: Devaneios
- Amor, Jovens e Sentimentos;
Texto de um amigo, Ranieri Trecha. - http://ranieritrecha.com/blog/
Não me vejo mais passando meus dedos sobre um espaço vazio ao meu lado, mudamos, crescemos e aprendemos, pensamos que amamos, nos enganamos quando realmente reconhecemos o que é o amor, posso ser inverno quando devo ser o verão, mas sinceramente não há algo mais especial no mundo do que amar e ser amado.
Dizem os sábios que jovens não amam, que queremos diversão acima dos nossos limites, ou melhor, esses “limites” nós não temos, mas isso é um engano, amamos muito mais do que deveríamos, sentimos sem limitar nossos sentimentos e sonhamos com um “felizes para sempre” a cada novo parágrafo da nossa vida.
Minha felicidade é ter alguém ao meu lado para me ouvir me amando, me entender ou não me entender me amando, e a cada novo sorriso que essa pessoa der eu sei que ela vai estar me amando, posso não resolver todos os meus problemas com isso, mas eu estarei feliz para resolvê-los.
Fazemos tempestades em copos d’água, choramos rios por que somos sentimentais, ficamos de bico por que não sabemos ouvir um ‘não’, fazemos DR para resolver nem sabemos o que… sei que lembraremos disso daqui alguns anos e diremos “nossa como éramos infantis”, mas o amor será o mesmo desde o primeiro dia em que você olhou para aquele rosto, respire o quanto tiver que respirar, sorria o quanto tiver que sorrir e diga tantos “eu te amo” que você perderá as contas.
Não tente matar o amor por um ou mais desamores, se foi desamor é por que não foi amor, por isso não mate o sentimento errado, mate o desamor, ele é o culpado. Ame!
Marcadores: Aleatórios
- Subversivo;
Redirecionado a meus amores,
Extirpado por minhas dores,
Amarrado por meus receios.
Sou moldável à justiça,
Sondável à ignorância,
Próspero à discrepância,
Fértil à preguiça.
Que são meus sonhos, e são vazios,
E são doces, e são frios;
De meus inúmeros gracejos.
Minhas vidas são contáveis,
De alegria, de vingança,
De paixão e perseverança,
Aos meus detalhes palpáveis.
Onde perco-me ao encontrar o meu Deus,
E encontro-me ao perder ateus.
Discreto, concreto e objetivo,
Existo apenas para dizer Adeus.
Marcadores: Poemas
- Discordância;

Discordância.
Nossa vida tem o mesmo rumo, mas não o mesmo destino. Ambas personalidades se completam, mas deterioram-se ao perceber que há muita diferença entre todos, entre nós.
Sou o ciúmes fechado, em formato redondo, moldável, para que a interpretação seja calculada sempre com a mesma formúla, mas o resultado seja diferente. Sou o amor de praxe, o ódio, o afeto, o recalque e a disponibilidade. Eu assumo meus erros em forma de glorificações, não perdoo em menos de cinco minutos, tenho atitudes grosseiras, sou voraz e afável.
Sou um estranho dentro de mim, direto e objetivo, que omite a mentira. Sou a felicidade, a inveja, a sinceridade, a culpa, o imediatismo e a cumplicidade. Sigo exatamente por aquele caminho que acredito que devo seguir, mas altero o destino em segundos, indo para a estrada que não deveria ir. O meu cérebro age antes de minha boca, e atua através de minhas cordas vocais, sem que eu possa analisar o que realmente meus labios gostariam de ter dito.
Sou o porto seguro mais obscuro que existe, já que não acredito em minhas capacidades, tenho medo do que faço, e quando o faço. Sou expontâneo, discreto, amigo, apático, singelo, doce, individualista e egoísta. Minha teimosia mostra que nunca estou errado, e quando estou, prefiro omitir meu erro. Eu gosto daquilo que não tenho, e jamais poderei ter.
Nestes pontos, eu perco as contas de quem eu sou, de quem você é, e de quem nós somos. Vamos parar exatamente em lugar algum, rodeados de nada. A mutualidade irá sumir juntamente com os sonhos, as promessas e a dedicação.
Somos uma só pessoa, e jamais compreenderemos o que se passa dentro de nós mesmos.
Marcadores: Devaneios , Metafóricos


