- Antagonismo;


Sou antagônico.

Neste momento em que escrevo, desejo que o mundo me ame,
Enquanto na verdade eu o odeio; e o amo.
Todas as sensações, infinitamente ditas indescritíveis são falsas,
E a falsidade é por eu poder descrevê-las.
Eu posso me descrever, mas eu não devo.

O meu alterego tomou conta do meu eu, e não posso ser aquele que um dia fui. Alias, o que um dia fui não tem mais sentido, pois este se perdeu em cada defeito que deixei que a vida me agregasse. Desaprendi a sinceridade, a lealdade, o companheirismo, a fidelidade. Sou apenas mais um Eu, perdido dentro de mim.
Cada pedaço que me forma está desgastado e desiludido. Me insatisfaço fácilmente com impulsividade, agressividade, imediatismo, e me calo diante de mim. Sou verdade e desafio. Ao mesmo tempo que tomo tento para empinar minha cabeça, abaixo-a no mesmo instante, a fim de que não me vejam.

Meus sentimentos tem duplo sentido. A cada ambiguidade que adentra meu coração, são suspiros falsos e inflexíveis de minh'alma. Eu digo sim ao não, não ao não, e as outras oportunidades se esvaem em cada resposta que insisto em ser contrário. Sou infame, ilário, precário. Meu coração não bate, ele gira no sentido anti-horário, desejando que eu volte ao meu passado, puro, ingênuo, e impecável.

Acordo a cada milésimo com a plena certeza de meu antagonismo. O que eu sou neste exato segundo eu já não sou mais no próximo. Me confundo comigo e com meus comigos, buscando infundadamente descobrir quem eu sou: Eu sem Eu.

2 comentários:

Unknown 9 de novembro de 2009 às 17:39  

O que tinha pra falar dos seus textos já falei.
Afinidade total com suas palavras.
Nem sei o q dizer. FODA, MUITO FODA.
Aconteça o q acontecer, a admiração pelo poeta não acabará!
Fique bem =D

twitter/Rodrighu

Thiago Ricieri 9 de novembro de 2009 às 18:03  

Eu gosto dos seus jogos de palavras Bruninho, mas me sinto tão triste quando os leio! rs

você poderia ser um poeta mais feliz, ou ainda não achou a musa que te deixará feliz?

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