- A Doença no Peito;

Hoje eu descobri o que era aquela coisa que apertava meu peito.

Eu estava enganado quando ia ao médico e tinha certeza de que eu precisaria de uma ponte de safena, de um transplante de coração ou qualquer coisa que me levasse à um bisturi. Na verdade, eu me enganei porque quis. Eu sabia que aquilo que apertava meu coração era uma mentira que inventei, pois nada o apertava, ao não ser meu cérebro conduzindo os meus pensamentos. Não era orgânico, era psicossomático. Eu inventei dores pra aliviar falsas dores, aquelas que jamais senti.

E depois de muito sofrer com essa dor que na verdade nunca doeu, eu descobri que o que estava em meu peito, querendo penetrar meu coração, era um tal de amor. Chato e inconveniente como um vírus, ele queria me dominar. Mas aí, fui simples: não tomei antibióticos nem derivados, simplesmente decidi que em mim ele não existiria; e dito e feito! Fiz ele sumir em instantes.

Há quem diga que eu nunca deveria ter tirado o amor do meu peito. Há quem diga também que eu deveria ter morrido desse mal. Eu prefiro dizer que um dia serei contaminado novamente, mas na hora que eu quiser que o tal do amor me invada.

- Um Pequeno Texto Sobre a Descoberta do Gostar;

Acabo de descobrir que gosto. Foi uma nuvem de fumaça, um sumiço, pro meu nome ser ciúmes. Eu poderia dizer tudo que está entalado na garganta, mas eu prefiro que me revire o estomago e eu regorgite em um vaso sanitário. Eu sou sincero, mas não quando tenho dúvidas do seu coração encaixado no meu, pois tenho medo de não ser do mesmo tamanho. Alias, nenhum se encaixou até hoje, mas você é perfeito demais pra não encaixar. Eu encontro falsos defeitos em ti, com medo de estar certo quanto a perfeição.
Vamos fazer assim: eu digo que você não significa nada pra mim, enquanto você graceja que sou tudo pra você.

- Um Pequeno Desabafo de um Tal Amor Alheio;

Não sei exatamente o que ocorreu, se foram os anos que me consumiram, ou se foi o fato de sermos tão semelhantes, e fingirmos que não, que me devorou por dentro. Extamente, por dentro, pois sei que meu coração continua batendo forte, mas não por você, e talvez nem mesmo para o amor. Meu coração está bombeando o sangue por todas as minhas veias, mas não bombeia nada que me faça querer ser seu novamente. Talvez nem seja ele que não quer, sou eu mesmo. Estou estupefato do seu amor gigantesco, querendo abraçar até o ar que eu respiro, e desta forma me impedindo de respirar. Você me sufoca.

- Menos Parâmetros;

Desde ontem ele não é mais o mesmo.

Se escuta seu nome entre os faróis e faixas de pedestre, ignora e fingi ouvir apenas o som do seu MP3, onde uma festa ocorre em seus tímpanos, e na sua inconsciência. Não existem mais parâmetros, apenas a vontade de viver da forma que quiser viver, egoísticamente. Suas noites buscam o prazer alcoólico, e algo de leve no tabaco. Seu corpo se movimenta freneticamente em casas noturnas, onde a única regra é ser feliz. Seu corpo busca corpos, para ambos se tornarem um só, não importando o fato de conhecer de fato a pessoa possuidora de tal corpo.

Ele se tornou somente a carne, o odor, o movimento, o suor. Não importa quantos corpos passem pelo seu, seu corpo pede mais vida, e menos parâmetros.

- Choque de Realidade;

Eu sinto ódio de mim por ter descoberto o amor com você.

Tudo poderia ser mais fácil, com um cavalo branco, roupas medievais, um castelo e um tal de felizes para sempre. Mas eu preferi injetar a realidade em minhas veias e matar a carochinha. Minha vida tornou-se uma estória, daquelas que a gente juro que é eterna, mas não passa da mesma porcaria da paixão de sempre. Isso porque eu escrevi em minha agenda "Favor não se apaixonar. Grato!', mas não faz mal, nunca fui bom em promessas mesmo. Eu poderia ter escolhido um amigo imaginário, um amor virtual ou um sonho inalcançável, mas eu tive que jogar no bicho pra escolher logo o animal vencedor, que ainda estou na dúvida se é você ou sou eu.

Tenho quase a plena certeza de que eu gosto do improvável, e sendo assim porque não tentei ficar milionário inventando uma máquina do tempo, ou criando a cura de uma doença rara. Eu gosto da dor, das náuseas e da insanidade que me corroi por não saber o que fazer. Eu adoro não saber o que fazer, principalmente quando eu tenho a exata certeza do que você está fazendo, e que não é nada por mim.

Sinto que poderia descomplicar as coisas, mas eu não quero, pois descomplicar facilitaria meu mundo, facilitaria você. Eu vivo bem assim, escolhendo o pior pra mim, escolhendo sempre você.

- Nomes Para o Que Sinto;


A partir de agora enfiarei essa espécie de platonismo entre as ventas.

Pouco importa se você se desloca ou se coloca por mim, suas atitudes são deploráveis aos olhos de quem vive um sentimento impossível. Não te amo, pois passei a desacreditar no amor no dia em que você sorriu para mim; era mentira demais pra ser perfeito, era extasiante e falso.

Portanto, não sei se há um nome para o que sinto, mas tenho a impressão de que seja o desejo de existir coexistindo com o de fugir, submerso numa emoção descontrolada de estar perto, e no ódio de ser você.

Eu vou fugir pra um lugar que não me lembre a sua face, que não me faça gritar de dor n’alma cada vez que te vejo. Vou para onde não haja sol ou lua, céu ou mar, campo ou cidade. Vou fugir da humanidade pra me sentir mais confortável com a hipótese de você não conseguir respirar, e não por falta de oxigênio, mas por falta de mim.