- Não Sei O Que Amo;

Eu não sei mais o que amo.

Fechei meus olhos e passei a desacreditar em qualquer tipo de amor. Venha ele de você, de mim, dele ou dela; o amor é apenas um peso que carregamos; é como açucar, é doce, satisfaz, realiza, enaltece, mas em excesso e aos poucos, te mata.

Os seres humanos não sabem onde pisam, mas pisam. Pisam uns aos outros, por recalque, por desejo, por luxuria, por instasfação. O amor vira amarra, prende os pulsos, corta o sangue, desoxigena o cérebro, desgasta o coração.

Não devo mais me apaixonar. Paixões são como um veneno pingando nas veias, te sufocando e te abastando aos poucos. Desacreditdo que haja algo especial, pois cada alguém é uma mesma historia repitida, é uma novela, é um desamor proprio.

Eu desacredito na amizade. Ela não floresce como dizem, não parte de mim nem de ti, ela se choca e gera uma sensação de prazer, de bem, de bom. Mas ela se desfaz, desfalece, falece.

Eu tenho a plena certeza do que não posso amar: tudo que amo. Tudo que amo é uma mentira que não existe, é hipocrisia sorrateira, é autoflagelo, é suicidio doloso, é recalque, é fogo, é gelo, é odio. A cada piscar de olhos é uma cena perdida, reconstituída incertamente. É a vida em sépia, onde não há preto e branco, não há yin-yang, não há cores primárias, secundárias, quentes ou frias. É apenas desgaste do corpo, do âmago, de si mesmo.

Eu não sei mais o que amo. E posso me incluir em que não amar. Onde estará o que um dia eu serei, e o que um dia você será?

3 comentários:

Jeff 14 de dezembro de 2009 às 22:48  

Cultura é um conceito antropológico, e devido a isso creio que os motivos que levaram o escritor a obter essa idéia do desapego ao amor, foram aceitaveis, no minimo. Pra não rotular em certo ou errado.

Apenas justificavel, na lucidez de que ja fomos todos condenados a amar. a sofrer. A pagar por esse amor, que nos corrói.

Adorei o texto! Me identifiquei... =/

Ranieri 15 de dezembro de 2009 às 04:03  

Perfeito né!
Adorei o texto!
Mas não acredito nele (y)'

:P

Rao Ferreira 15 de dezembro de 2009 às 04:08  

Textos como esse me dão animo para levantar a cabeça de manhã e seguir minha jornada...

Pela primeira vez, estou desacreditando no amor, ainda que, o que esteja me segurando, seja minhas amizades de anos e anos atrás... As famosas "amizades eternas" e quiçá, um dia, estas também serão postas a prova...

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