Abri a porta e me deparei com um ambiente sem luz, sem vida, sem graça. Procurei o interruptor, e nada encontrei além de mofo na parede. Criei a luz com o flip aberto do meu celular. O quarto ficou a meia luz. Haviam coisas antigas, rodeadas por poeira, humidade e teias de aranha. Dentre tantos objetos haviam: uma fotografia molhada do lado direito, desfocando quem estava ao meu lado; uma penteadeira com um espelho trincado, que só permitia ver-me em diversos pedaços, e um ursinho velho, marrom, sem um olho e o fucinho, e soltando bolinhas de isopor por sua pata direita. Encontrei também uma vela. A acendi

Sentei em frente a penteadeira, me vi em 14 pedaços. Em cada um deles eu tinha uma face diferente. Olhei a fotografia, e era bem recente; mas não consegui enxergar quem estava ao meu lado. Abracei o ursinho, com força, até meu nariz coçar insuportávelmente e quase todas as bolinhas saírem por sua pata.
Cada face que eu olhei, era um pedaço desfacelado de mim.
Quem estava naquela velha-nova fotografia, já fizera parte de mim.
E cada vez que o ursinho derramava suas bolinhas de isopor, e esvaziava, era eu quem ficava vazio.
Apaguei a Vela.
Apaguei a luz do celular.
Fechei a porta do quarto escuro.
Não era o quarto;
Era a Vida.
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