Era uma bela e incomum manhã de outono. Uma brisa fria batia em meu rosto, junto com o sol radiante, e o céu de multitons de azul, sem ao menos uma nuvem no céu. O dia era perfeito para um dia feliz. Era.
A manhã se convertia em um quarto de hospital, divido em seis leitos, seis vidas, e uma delas, me pertencia. Um pedaço de mim se mantia em estado delicado, com aparelhos ligados ao corpo, uma inalação somente com água, e duas bolsas de soro, que fingiam derramar a vida de gota em gota. O pedaço que permanecia dentro daquele quarto era parte de meu alicerce, este que já estava debilitado por ser apenas, ao invés de dois, somente um.
A cena era chocante, e triste. Meu alicerce buscava resgatá-lo, sem sucesso. Então, tal pedaço, com seus olhos semicerrados pareceram me identificar. Os olhos que quase fechavam, se abriram de forma rápida, por cerca de um segundo, e me olharam dentro d’alma. O segundo se transformou em um gigantesco flashback. Os grandes e arregalados olhos verdes me levaram por um mundo que eu já havia vivido, mas havia esquecido. Fui até minha infância, onde ele me vestia com o meu bom e simples uniforme verde e branco da pré-escola; que me acordava pelas manhãs; me levava ao cinema, fazia brincadeiras. Deitava ao meu lado na cama até eu pegar no sono, quando tinha medo do escuro. Cantava músicas sertanejas, ou mesmo desconexas, com ritmos próprios produzidos pela boca, e que ele mesmo inventava; contava histórias, dava broncas, aconselhava sutilmente; era bravo e calmo ao mesmo tempo. Aquele olhar me serviu como máquina do tempo, me fazendo pensar e repensar em cada segundo bom que eu já havia vivido ao seu lado, esquecendo a cena que eu vivia naquele segundo. Ainda com tempo, eu buscava encaixar aquele pedaço a mim, dizendo tudo que estava engasgado, soltando poucas palavras que a vergonha idiota não me permitia dizer ao longo dos anos. Havia tempo de dizer. Havia tempo de se escutar. Havia tempo de responder.
Meu pedaço deixava claro que lutava contra o tempo, contra os batimentos cardíacos, contra a luz divina que descia para buscá-lo. Ele esperou, por longas horas, que toda a família se reunisse a sua volta, que lhe dessem o último e penoso adeus, e que ele pudesse lavar a alma naquele leito de hospital. O mundo se fechou em quatro paredes, e em quatro almas entrelaçadas.
Uma enfermeira entra no quarto, e pede licença por cinco minutos, enquanto trocava os pacientes dos demais cinco leitos. Foi à deixa do meu pedaço. Já havia se despedido, não havia necessidade de vermos sua partida. Viramos as costas e ele se despediu do mundo. Os médicos correm, como se buscassem resgatar tal vida, aquela que já estava cansada de viver neste plano. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Nada que os médicos fizessem, o trariam de volta como meu pedaço já fora um dia.
Ele fechou os lindos olhos verdes, para sempre. Não precisaria mais deles. Agora seus olhos eram os da alma, e com estes, ele veria o meu e outros mundos, com outros olhos.
A manhã se convertia em um quarto de hospital, divido em seis leitos, seis vidas, e uma delas, me pertencia. Um pedaço de mim se mantia em estado delicado, com aparelhos ligados ao corpo, uma inalação somente com água, e duas bolsas de soro, que fingiam derramar a vida de gota em gota. O pedaço que permanecia dentro daquele quarto era parte de meu alicerce, este que já estava debilitado por ser apenas, ao invés de dois, somente um.
A cena era chocante, e triste. Meu alicerce buscava resgatá-lo, sem sucesso. Então, tal pedaço, com seus olhos semicerrados pareceram me identificar. Os olhos que quase fechavam, se abriram de forma rápida, por cerca de um segundo, e me olharam dentro d’alma. O segundo se transformou em um gigantesco flashback. Os grandes e arregalados olhos verdes me levaram por um mundo que eu já havia vivido, mas havia esquecido. Fui até minha infância, onde ele me vestia com o meu bom e simples uniforme verde e branco da pré-escola; que me acordava pelas manhãs; me levava ao cinema, fazia brincadeiras. Deitava ao meu lado na cama até eu pegar no sono, quando tinha medo do escuro. Cantava músicas sertanejas, ou mesmo desconexas, com ritmos próprios produzidos pela boca, e que ele mesmo inventava; contava histórias, dava broncas, aconselhava sutilmente; era bravo e calmo ao mesmo tempo. Aquele olhar me serviu como máquina do tempo, me fazendo pensar e repensar em cada segundo bom que eu já havia vivido ao seu lado, esquecendo a cena que eu vivia naquele segundo. Ainda com tempo, eu buscava encaixar aquele pedaço a mim, dizendo tudo que estava engasgado, soltando poucas palavras que a vergonha idiota não me permitia dizer ao longo dos anos. Havia tempo de dizer. Havia tempo de se escutar. Havia tempo de responder.
Meu pedaço deixava claro que lutava contra o tempo, contra os batimentos cardíacos, contra a luz divina que descia para buscá-lo. Ele esperou, por longas horas, que toda a família se reunisse a sua volta, que lhe dessem o último e penoso adeus, e que ele pudesse lavar a alma naquele leito de hospital. O mundo se fechou em quatro paredes, e em quatro almas entrelaçadas.
Uma enfermeira entra no quarto, e pede licença por cinco minutos, enquanto trocava os pacientes dos demais cinco leitos. Foi à deixa do meu pedaço. Já havia se despedido, não havia necessidade de vermos sua partida. Viramos as costas e ele se despediu do mundo. Os médicos correm, como se buscassem resgatar tal vida, aquela que já estava cansada de viver neste plano. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Nada que os médicos fizessem, o trariam de volta como meu pedaço já fora um dia.
Ele fechou os lindos olhos verdes, para sempre. Não precisaria mais deles. Agora seus olhos eram os da alma, e com estes, ele veria o meu e outros mundos, com outros olhos.
9 comentários:
Não sei se é o momento...mas esse texto foi uns dos textos mais emocionantes que eu já li...acho que dessa forma eu consegui chegar perto do que está se passando em sua cabeça...acho bom que você escreva, escreva e escreva, e tente tirar o máximo do que está guardado em vc...mesmo que vc não mostre pra ngm escreva, escreva para o seu pai: peça desculpas, agradeça diga o quanto ele foi importante pra vc e acredite ele pode ler o q vc escreve "com os olhos da alma"...
Força e Fé
Te amo
THAÍSA COELHO
"Deitava ao meu lado na cama até eu pegar no sono, quando tinha medo do escuro." eu ti ajudei nessa parte aquele dia no msn! rs*
mano.. sua amiga falou tudo!
eu li o texto no orkut, ver a foto preta do perfil me fez querer entrar. Antes de ler o texto eu nao tinha entendido muito bem a parte do "UC1 - 117 / 11h10".
Agora as coisas foram encaixando.
chegar ate o final do texto me fez chorar..e por mais estranho que possa ser eu vi um trecho de um filme na minha frente. cena rodada em camera lenta... alguma musica no violino tocando... acho que é assim que eu consigo sentir as coisas.
eu fico muito chateado de não poder fazer muito por você, mas quero que saiba que eu sempre quis fazer por onde.
tipo.. eu nem sabia que seu pai estava doente sabe?! quando você comentou por cima aquele dia na balada eu pensei que ele estivesse gripado ou algo parecido e tava de repouso na cama para descansar.
Dai então quando eu recebi a mensagem da Mari falando foi muito choque. mesmo!
e mais uma vez me senti impotente.
mas enfiim..
falei demais! rs*
Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro.Leonardo da Vinci♥
Óia eu de novo.! =P
Coment geral: curti a nova ideia do blog!
Man, tem uma certa musica que diz algo como: "E você me falar, me ensinar, falar do que foi pra você, não vai me livrar de viver!"
Mas o que a Tha disse é fato! Foi um texto, que por um instante, ou pra sempre, foi tirado de dentro de vocÊ! Um pedaço que só pertencia aquele momento, aquela inspiração!
Sim, pode contar comigo. E nao se envolva com pensamentos ruins, quando isso for uma opção!
;)
Sei que nem sou sua grande amiga...
Mas queria muito dizer alguma coisa e não sei o que dizer, só que precisando é só chamar.
Beijo lindo e bola pra frente
um texto de grandes detalhes,
e emoçoes.
é até ruim dizer que o texto esta lindo, nessa situaçao, mas adorei as palavras que usou, enfim.. nao sei se me entende. mas sinto muito pelo o acontecido.
tenho certeza que ele esta do teu lado. e vai estar sempre.
fica bem amigo,
abraço forte, de aluem que naao
tem tanto contato assim, mas que torce por voce. (L)
Você não me conhece
Eu conheço sua imagem e o mais importante para mim, suas palavras.
Aquela tarde onde navegando na web me deparo com um simples fotolog que em imagens e palavras que fizeram parar e pensar, ler a me apaixonar.
Sonhar e me sentir forte
Concretizar minhas ilusões me fez sentir-me poderoso
Coisas do cotidiano ou simples assuntos construidos em palavras sempre me fizeram refletir.
Você se tornou meu amigo em palavras, em emoções derretidas pelas teclas do computador.
Agora nessa hora de confortar alguém, antes de mais nada, só queria te agradecer.
E lendo seu emocionante texto me fez parar e pensar na minha vida.
De como eu queria ter tido essa oportunidade, de ter um pai de verdade e naõ uma pessoa que nunca deu a mínima para mim.
Ou que durante toda sua existencia, te fez sofrer e te conduzir a atuais problemas emocionais.
Seja forte e siga em frente
Leio esse seu texto, não como um desabafo de um garoto sofrendo uma perda. Mais uma história com um final, não feliz, mais muito bem contada.
E o mais importante, uma história de AMOR entre um pai e um filho.
Obrigado por escrever
Obrigado por me fazer melhor
Seja forte e vibrações positivas pra você
Rodrigo
caxasblack@hotmail.com
Bru, meu amigo querido, meu irmão amigo. Não sei porque ainda não passei, mas imagino sua dor! Meu pequeno já crescido, meu querido amigo. Vi e confirmo, o tempo vivido de tudo relatado, dos tempos passados. Sem palavras, sinto-me impotente, queria se possível arrancar sua dor, com minhas mãos em seu peito, mas infelizmente meuirmão, não posso, queria afaga-lo em meus braços e protege-lo do sofrimento como faz uma irmã mais velha ao proteger o mais novo.infelizmente eu não posso. Agradeça a Deus por ter passado 19 anos ao lado de alguém tão especial, e não o contrário. Me desculpe pela minha impotência e conte comigo sempre! Amo muuuito vc! Beijos no seu coração, de sua seeeempre IRMÃ FE!
Aonde quer que ele está... leva vc no olhar!!
Seja feliz, por vc e por ele...
Bjuxx
Mike!
maykonsousa@hotmail.com
Mew, texto emocionante. Queria poder estar ai, do seu lado. Acho que não teria o que dizer, mas só o fato de emprestar meu ombro e olhar no fundo seus olhos e empurrar sua cabeça sobre o meu ombro, já seria o bastante. Pequenos gestos, geram grandes gratificações.
Como diz um amigo meu: "Força Sempre" e ainda mais nessa hora amigo. Fé, vontade de continuar, Amigos...
...força sempre, sempre.
Te amodoro rapaz.
Contigo sempre!
Fica bem.
Postar um comentário