Eu não sei o que sinto por mim.
É como se houvesse uma grande corrosão mental, por me conhecer por lados que eu acreditava não conhecer. Aprendi a viver uma vida desnivelada, crendo que eu seria capaz de desaprender o que aprendi a duras penas, esnobando o que demorei anos para conquistar.
Eu minto a mim mesmo, mesmo não mentindo. Dizer o que faço, quando desfaço com palavras o que fiz com ações, não passa de uma conclusão falsa sobre atos verdadeiros, e palavras mentirosas. Respiro dois tipos de ares diferentes, um que me dá virtudes, e outro que me dá vícios. Engano-me com qualquer semblante mais amável, qualquer sentido doce, e com qualquer olhar fixado. Dissimulado, é o que passa com o que passa por mim.
Logo a auto-hipocrisia me encontrou. Explico para quem não quer escutar quem eu não sou, na ânsia de sentir-me afagado, desejado, uníssono com o que não me completa. Estou incompleto. Embora eu tente forjar duas personalidades, infelizmente só existe uma dentro de mim, que convive com outras externas, outras que me consomem.
Sou metade daquilo que aparento, para deixar que a outra metade seja interpretação. Faço pouco mais do que falo, digo pouco mais do que ouço, e sou pouco mais do que desejo. Em meu peito convivem dois afetos onde caberia só um.
Poderia falar sobre amar-me, mas não devo. O desnível acabou por levar o que eu acreditava que era o ego, e o que sobrou é apenas um vestígio de confiança. O que sinto por mim não passa de um reflexo daquilo que sinto pelo mundo, do que sinto por quem quer sentir por mim.
- Auto-hipocrisia;
Postado por
Bruno Érnica
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Marcadores: Devaneios
2 comentários:
Ouvi dizer que me apaixono muito fácil! O que eu vejo como carinho/carência é interpretado como sentimentos escancarados.
Duas personalidades. A primeira é a que somos e conseguimos demonstrar. Acho !
Já a outra é o que queremos ser. Essa segunda quase nunca é entendida.
Ter personalidade e dar a cara pra bater é muito mais complicado do que viver numa redoma de vidro, onde possamos nos achar inatingíveis.
O medo do amor é muito maior em quem é amavel, ou tem bom coração. O fracasso e a dor é algo que nunca deveria acontecer com essas pessoas.
Sem palavras pra esse texto.... #chorei
Rodrighu
Acho que nessas de sempre as pessoas tentarem se explicar acabam por se confundindo, acabam por criando essas contradições que nascem do puro sentimento - ou a ausência de. Quando tu fala das personalidades que conflitam dentro de ti e que na verdade é apenas uma, e que as outras, seriam steps, é basicamente o que vejo. É com isso que na ânsia de explicar-se nasce o dois, que vira um que torna a ser dois e vira nada. Mas sempre é válido.
Eu realmente amei :D
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